Quando engravidei pela primeira vez, já tinha pedido exoneração, não era mais funcionária pública, então não passei por tudo que passa uma grávida que está trabalhando formalmente.
Mas dessa vez é diferente. E agora se aproxima o grande dia, e depois disso a época da licença maternidade, e depois disso, a volta.
Esse é um post que eu gostaria de escrever no anonimato, pois não estou escrevendo para fazer média com a empresa, ou nada disso. É realmente uma forma de compartilhar com outras pessoas o que estou sentindo, e que tenho certeza, encontrará ecos por aí.
Ainda trabalhando, mas já sabendo do período de afastamento e de que um dia terei que voltar, mil sensações e inseguranças passam por mim, tanto em relação ao trabalho como pela perspectiva "maternal": será que a empresa não vai mais precisar de mim? Será que, depois de tanto tempo fora, quando eu voltar ainda terei um espaço? Será que arranjarão outra pessoa para fazer o que eu faço? Vou ser mandada embora assim que voltar? Como conseguirei conciliar da melhor forma possível um bebê e o trabalho? (e nesse aspecto ainda sou muito abençoada, pois meu trabalho é mais home office que in loco). O que farei com o pequeno?
E para piorar um pouco as inseguranças, ainda tem o seguinte: adoro meu trabalho, a empresa, o que faço. Porque se eu não gostasse muito, seria mais fácil, e até se rolasse uma demissão, não seria complicado. Mas eu também adoro ser mãe e quero ser, para esse filho que está chegando, uma mãe presente, como fui para o mais velho, ou seja, amamentar até os 2 anos, não terceirizar a criação, estar disponível.
Hoje vejo como me sinto feliz trabalhando, ganhando um dinheirinho, me sentindo útil de outra forma que não como mãe/esposa. E sei que seria difícil, de verdade, perder esse emprego. Não gostaria que isso acontecesse. O que sinto é o seguinte: queria realmente conseguir estar disponível e presente nos dois papéis, e exercê-los da melhor forma possível.
Sei que pensar nisso agora, e pior, sofrer com isso, não vai resolver ou mudar nada do que acontecerá. Então sigo fazendo o que está ao meu alcance, e tentarei administrar o que virá.
Boa sorte para todas nós, que administramos tantas coisas ao mesmo tempo!