terça-feira, 3 de abril de 2012

Todos dormem?

Quando meu primeiro filho era bebê, o sono dele era muitíssimo complicado (entenda-se: ele dormia no máximo 2 horas e 1/2 seguidas...) e cheguei até a falar para o pediatra: se mais alguma mãe na sala de espera me disser que o bebê dela dorme a noite inteira, sou capaz de dar um soco em alguém!

Agora, com meu segundo filho, nem posso reclamar tanto, durante a noite o sono dele é mais longo, mas continuo me deparando com bebês "perfeitos": não dão trabalho, dormem a noite toda desde o primeiro dia (e no próprio berço), não choram, ficam no carrinho sem reclamar...

Bom, então o "problema" deve ser genético, porque meus filhos dão trabalho, choram, e não passam o dia no carrinho sem reclamar. Falando com uma prima que tem bebê pequeno, ela me disse que ouve essas histórias fantásticas de bebês, de outras mães que encontra por aí. Então deve ser genético, mesmo, porque só os nossos dão trabalho...

E fico pensando: por que, então, tanto livro e dicas em sites de como fazer o bebê dormir, já que todos dormem, menos os meus? 

Conversando com outra mãe, de 3 meninos, ela me disse: "Ana, isso é mentira. O pessoal exagera, não conta tudo."

Então eu penso: será que hoje a imagem de mulher perfeita é tão forte, que transferimos isso aos filhos? Não basta que a gente faça tudo da melhor forma: nossos filhos também devem parecer sem defeito aos olhos dos outros? Não é aceitável se queixar do trabalho que dá um bebê? Precisamos nos mostrar a mais satisfeita possível para as pessoas? 

De qualquer forma, fica aqui meu registro: se você tem um bebê que dá trabalho, ou já teve, bem vinda ao clube!


quarta-feira, 29 de fevereiro de 2012

Sem tempo pra nada que não seja útil

Vida de mãe "fresca" é meio que tudo igual: fralda, mamar, choro, sono, muito sono. E se já tem um filho mais velho, então tempo é algo mais em falta que tudo. Desse jeito, estou há praticamente 3 meses sem acessar direito a internet, e quando acesso, é muito rápido, muitas vezes sem conseguir nem responder àqueles que me escreveram...

Mas também me fez questionar o quanto de besteira se lê, o quanto de tempo se perde, quanta coisa inútil, que, muito obrigada, fiquei sem e sobrevivi muito bem.

E acho que isso não aconteceu só comigo, porque muitos amigos não publicam mais nada, também parecem offline, apesar de não terem bebês novinhos para cuidarem. 

Espero conseguir retomar o acesso aos poucos, conseguir escrever - e ler, porque, é claro, também tem coisas boas, como saber de pessoas que há muito não vemos, ou que pela distância nos enchem de saudades.

E, se o tempo é raro, e estamos mais experientes, vamos selecionando melhor onde usá-lo.

segunda-feira, 28 de novembro de 2011

O que é o normal?

Na minha primeira gravidez, queria que meu filho nascesse de parto normal. Fiz tudo o que deveria, mas um detalhe muito importante me faltou: meu médico não apoiava a ideia. Mas então por quê eu fiquei com um médico que não era a favor do que eu queria? Porque em todas as consultas, sempre que eu falava sobre o parto normal, ele nunca disse que não faria. Mas no último momento, ele me pôs no soro, induziu o rompimento da bolsa, e, a grande cartada, disse que se não fizesse a cesárea naquele momento, o bebê entraria em sofrimento. É óbvio demais, certo? Fui pra cesárea, sem dúvida. Mas frustrada, porque realmente desejava que fosse normal.

Claro que o nascimento do filho apaga essa frustração, o amor invade a gente e todo o resto fica pra trás.

Grávida novamente, claro que troquei de médico: quero que seja parto normal. Por isso, troquei de médico uma segunda vez, e a primeira frase que disse ao atual foi: se não faz parto normal, pode falar abertamente, que não perco nem o meu tempo, nem o seu. Ele me garante que faz. E dá demonstrações nesse sentido, nas consultas. Então, estou aqui a aguardar o momento que o bebê quiser chegar.

Dessa vez, estou mais preparada, caso não seja possível o normal. Mas continuo na expectativa para que seja. Se não der, tudo bem, não colocarei a integridade do bebê nem a minha acima de uma ideologia.

Mas um dado me chamou atenção: no ProMatre, grande maternidade em São Paulo, meu marido perguntou à enfermeira obstetra quantos partos normais acontecem todo dia. E ela nos disse que ali, diariamente, nascem cerca de 30 a 35 crianças. Dessas, apenas 2 ou 3 são partos normais. CARAMBA!!!

Não vou ficar fazendo discurso, até porque acredito que cada um faz em sua vida aquilo que acredita ser o melhor. Não faria sentido ser diferente. Mas o índice impressiona. E cada vez é mais difícil achar um médico de convênio que faça parto normal. Hoje a realidade é a seguinte: quer parto normal? Ou vai pro SUS ou paga particular, em média R$8mil, o que para mim é muito dinheiro.

Enfim, cada um escolhe o que acha melhor, mas hoje a exceção realmente virou regra: a cesárea, uma cirurgia que foi criada para salvar mulheres que não podiam ter o parto natural, é a grande opção. E quando falo que quero parto normal, sempre ouço a mesma coisa: "Você é corajosa! Você é louca!" ou ainda: "Pra quê???"