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Pode por na ordem que quiser. Algumas se repetem ao longo de um dia. Outras não consigo dar conta. Fora as que esqueci. Ainda tenho que explicar porque sou ansiosa?
quinta-feira, 21 de abril de 2016
quinta-feira, 15 de janeiro de 2015
Somos refugiados climáticos!
Moramos na cidade de Cotia, região metropolitana de São Paulo. Há exatos 24km da Praça da Sé. Antes morávamos na rua do Masp, região da Avenida Paulista.
Estávamos no oásis de uma grande cidade: livrarias, cafés, restaurantes, teatros, cinemas, médicos. Tudo ao alcance de nossos pés, literalmente. Nosso carro precisava ser ligado de vez em quando para não arriar a bateria, afinal ele era quase um imóvel!
Mas chegam os filhos e com eles as necessidades mudam. O que eu faria com tantas livrarias, restaurantes, cinemas? Precisávamos de um quintal, e viemos atrás dele. Isso aconteceu em 2007.
Chegamos em Cotia. E moramos num local maravilhoso, bucólico, mas que também cobra seu preço. Sempre faltava luz, afinal as chuvas derrubam as árvores e partem os fios. Por ser local afastado, demora para a Eletropaulo agir.
Ficamos um bom tempo sem conexão de internet. Tudo bem, tínhamos a natureza, melhor que as redes sociais!
Também sempre foi comum faltar água. Moramos num local alto e o boom imobiliário começou a acontecer por volta de 2008. Simplificando, a rede de água não era suficiente para aquele monte de gente chegando. Afinal, planejamento urbano é algo que não se vê por aqui!
O trânsito da Raposo Tavares é um horror. Tanto que há uma página sobre ele, ou seja, não é uma sensação, é um fato. Já demorei 2h30m para voltar de um local há apenas 12 km, com duas crianças no carro. Teria chegado em Bertioga! Mas não saí de Cotia! Para ilustrar, além da página, avalie que há vendedores de amendoim na "Rodovia"! Rodovia com vendedor de amendoim já diz tudo, certo?
Então, com tudo isso, você pensa que quero voltar pra São Paulo? De jeito nenhum, não atualmente. Ainda precisamos do quintal e em SP ele custa muito mais do que podemos pagar! Mas já pensei em ir embora daqui, claro, inúmeras vezes. Buscamos a "tal" qualidade de vida. Mas ela é mutável, como tudo na vida. Há épocas que qualidade de vida é ter livrarias, outras um quintal, outras, apenas o básico: água e luz.
Então chegamos em 2014. Começamos o ano com racionamento, apesar do incompetente do governador só afirmar isso ontem! Em 2014, tínhamos 1 dia com água e 1 sem. Como por aqui sempre faltou água, nos adaptamos relativamente bem. Darwin sempre está certo!
Um pouco antes das eleições, a água voltou a ser diária, forte, imponente! Que beleza, alguns inocentes acreditaram que Chuchu falava verdade, que não havia racionamento. Eu, que ainda sou um tanto inocente (afinal acreditei num 2° turno), mas em Papai Noel não acredito mais, pensei: finalizadas as eleições acaba a água novamente! E sem bola de cristal nenhuma, acertei a previsão!
No domingo a reeleição se concretizou. Eu, atônita (ou inocente?), porque não acredito que vivo no mesmo Estado que essa galera (57,1% foi o índice da reeleição) que acredita que tudo por aqui vai bem, ou seja, Educação, Saúde, Segurança, enfim, está tudo tão bom, que o pensamento é simples: "vamos reeleger esse pessoal que está fazendo tudo tão direitinho desde 1994!"
Na 2ª estávamos sem água. E assim ficamos até 4ª. Até que voltamos ao esquema 1 sim/1 não, com variáveis 1 sim/2 não, até chegarmos ao incrível 1 sim/3 não, agora no final de 2014.
Mas dia 1° de Janeiro chegou, choveu muito, e claro que acabou a luz! Como já aconteceu antes, sabemos que quando falta luz por muito tempo, a água também cessará, pois o abastecimento de água depende da luz! Isso é que é planejamento urbano, certo?
No total ficamos 30 horas sem luz. E já estávamos há 2 dias sem água. A Sabesp dizia que demoraria mais 3 para a água voltar. Fomos embora para Jundiaí, onde tenho parentes. Levamos o estoque da geladeira, a cachorra e nossa roupa suja.
Mas não dá para simplesmente se alojar na casa das pessoas. Somos 2 adultos, 2 crianças sadias e barulhentas, claro, e 1 cachorra que acha que é caçadora, então late até pra mosca!
E quase 8 dias depois, voltamos. Chegamos no Sábado e tínhamos água! Que beleza! Como dizia Chuchu, não há racionamento!!! Mas Domingo, dia 11/01, a água acabou novamente. E assim ficamos, até ontem, 4ª feira, quando a água voltou por cerca de 3 horas! E acabou de novo...
Então ontem acontece "o milagre", finalmente Chuchu admitiu que há racionamento! Ainda haverá eleitores achando essa declaração o máximo, tenho certeza, algo do tipo "Nossa, que corajoso!". Estelionato eleitoral, isso sim! Mas se aconteceu esse milagre, quem sabe as águas de Março fechem o verão também, certo?
Apesar de não sermos cúmplice, somos, eu e minha família, vítimas dessa fraude eleitoreira. Até pedi um banho no Palácio dos Bandeirantes, afinal em Palácio não deve faltar água! Mas declinaram meu "convite"... Eu entendo, a aristocracia não gosta de se misturar...Como eles fariam, após a nossa visita? Não daria pra desinfetar tudo... Como dizia Justo Veríssimo, do gênio Chico Anysio, e me parece que outros por aí têm falado, "odeio pobre!".
E assim estamos. Moradores da região metropolitana de São Paulo, que reelegeu esse incompetente com 56,81% dos votos (índice de Cotia), nos tornamos refugiados climáticos, de acordo com esse estudo. Agora buscamos refúgio, não mais para achar sossego ou quintal. Agora iremos atrás de infra-estrutura, simplesmente. Se conhecer um local com tudo isso, pode indicar! Preferimos o Brasil, claro, afinal ainda não desistimos dele! Somos inocentes, ou "apenas" esperançosos?
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quinta-feira, 18 de dezembro de 2014
Quero ser a última geração que lamenta ser mulher!
Há muito penso em papéis e gêneros. Criada por uma avó muito mais feminista do que eu imaginava - talvez apenas hoje eu comece a entender seus discursos enquanto tomávamos sorvete - essas questões foram plantadas desde minha primeira infância.
Essas questões se transformaram ao longo de minha vida. E temos, em 2014, uma realidade que discute muito tudo isso.
Tenho lido muito essas moças de vários coletivos feministas, diante de algumas notícias que tem sido publicadas, e a postura delas me fez pensar demais. Vejo a radicalidade, e muitas podem não concordar com minha postura mais branda, mas afirmo que se tivesse que escolher um lado, estou ao lado delas! Sou uma delas, com certeza!
Mas a vida não me deixaria ser tão radical. A maturidade explica um pouco a busca por algo mais sereno. Mas ainda assim, não posso ir contra minha realidade, afinal ao longo da vida encontrei parcerias boas com homens (em todos os aspectos), e o mais importante: tenho dois filhos que nasceram meninos.
Eu sempre quis ser homem. O que mudou isso foram meus filhos e meu marido. Afinal, se não fosse mulher não teria encontrado um parceiro tão corajoso, e através dele pude conceber e trazer ao mundo crianças tão bacanas. Ser homem sempre me pareceu muito mais legal, simples assim.
Não quero isso pras meninas que nasceram depois de mim. Quero que elas gostem de ser mulher porque não há papel definido. Quero que elas sejam mulheres e sejam o que quiserem. Mas já é assim, você pode pensar. Será?
Vejo que é assim até a página dois. Afinal, chegam os filhos e deixamos de lado nossa vida profissional. Ou os deixamos de lado. Ou não deixamos ninguém de lado. "Só" a nós mesmas.
Afinal, qual o problema em ceder mais um pouquinho? Daqui a pouco muda o cenário...Não muda, lhe garanto. Sempre haverá uma agenda mais importante que a nossa, algo que achamos mais importante que nossas próprias pautas.
Outro dia perguntei ao meu filho mais velho se ele já pensava o que gostaria de fazer profissionalmente. Deixo claro que não não perguntei para criar expectativa, não era pergunta ao estilo "tio do pavê". Minha ideia era justamente entender o que ele pensava sobre possibilidades. Ele tem 8 anos e claro que há milhões delas (ainda bem!): ser engenheiro, criador de Lego, policial, jogador de futebol, e entre tudo isso e mais mil outras, ele disse que quer ficar em casa com os filhos. Assim como o pai fazia quando eu trabalhava aos finais de semana (tive um emprego em que durante a semana eu trabalhava em casa e ele fora, e nos finais de semana trocávamos os papéis). Assim como eu faço há muito tempo, desde que resolvi bancar esse lance de ser mãe.
Isso me sensibilizou e por isso acredito que essa deveria ser nossa luta por essas gerações!
Quero que meus filhos, seus amigos e amigas cresçam num mundo onde não haja divisões de rótulos. Onde as lojas de brinquedos não sejam segmentadas. Nem as cores. Nem as tarefas. Nem os cargos. E, principalmente, não haja rótulos comportamentais.
Não quero que meu filho continue acreditando que homem não chora. Nem que suas amigas continuem buscando ser lindas, magras, impecáveis, princesas sem celulite. Não quero que continue existindo a crença que há "mulher pra casar" e "mulher pra curtir". Isso faz mal pra todo mundo!
Meu filho mais velho tem exemplos concretos que o fazem ser menos machista. Há muito tempo ele me questionou o fato dos fraldários estarem, em sua grande maioria, nos banheiros femininos.
Ele refletiu sobre isso porque muitas vezes quem trocou suas fraldas e as de seu irmão não fui eu, e sim o pai, que sempre levou mais jeito com crianças. Eu não sou a pessoa que, nas festas, pega bebês no colo. Tenho medo de deixar cair ou quebrar! Minha cara é muito mais ficar jogando videogame, afinal o game over é de brincadeira! Mas assumo numa boa meu lado dona de casa, porque gosto de cuidar da minha família. E isso precisa ser incongruente?
Também temos amigos que não são casados e que ficam com xs filhxs, de verdade, então meu filho não acha estranho um homem sem mulher cuidar plenamente de suas crias. Ainda bem!
Por tudo isso, não quero um mundo de raiva, segmentado entre "nós" e "outros".
Não quero que essas crianças cresçam para serem dominadas. Não digo os meus filhos. Digo todos eles. Nossxs filhxs todxs. Sem gênero. Seria muito utópico pensar em parcerias plenas?
Então, sejamos uma equipe, todas nós. Paremos de lutar umas contra as outras. Paremos de competir, mulherada. Todas sofremos. As que trabalham fora, as que trabalham dentro, as que trabalham mas não tem salário (meu caso atual), as do alto escalão. Estamos sempre abrindo mão de algo valioso para nós em nome do quê? Para subirmos em que pódio?
Queremos ser melhores do que quem mesmo? Assumamos nossos papéis, falhos, e não sejamos a mulher maravilha. Sejamos a mulher possível dentro de nossa realidade, e contemos umas com as outras.
E tudo isso com amor. Não apenas por outras mulheres. Amor pela humanidade. É isso o que todos nós, seres humanos, precisamos. Parcerias plenas. E essas parcerias, só o amor pode construir. Isso não é uma competição, diria meu filho!
Dessa forma, não posso e não quero ter um discurso de raiva, ou algo que se aproxime da forma de dominação imposta pelos homens até hoje.
Acredito que essa seja a nossa diferença, mulherada! Temos que encontrar o caminho que nos leve às parcerias, e não à dominação. Algumas dirão: mas eles dominam desde sempre! Contaram as Histórias, dominaram as Academias, o mercado de trabalho, os postos de chefia nas empresas e na política, as forças armadas, enfim, todas as áreas ainda estão nas mãos deles. Porque apesar de já sermos maioria numérica, eles ainda detém os melhores salários.
Não vejo os melhores salários ou os cargos de comando como principais entraves. Há mulheres que chegam "lá", e então, ao invés de serem empáticas com suas subordinadas e com o mundo, nos impõem uma visão machista e continuam apenas replicando o modelo já conhecido.
E então o que encontramos, basicamente, são duas posturas: as que não tiveram filhos e não conseguem ser flexíveis com a agenda de uma mãe (e dizem "Alguém em seu cargo não pode deixar uma reunião para ir em festinha de escola de filho") e as que tiveram filhos, mas contam com uma rede de apoio muito boa e já delegaram grande parte da vida dos filhos a terceiros.
Claro que nenhum dos dois caminhos é o melhor. Pois em ambos essas mulheres estão assumindo uma postura que um dia cobrará um preço bem alto. E nem todas estarão preparadas para pagá-lo. Mas isso também é outra história. Para aprofundarmos sobre essa questão, esse texto sobre a dificuldade em ser mãe no Século 21 é ótimo!
Então volto ao ponto principal: temos que ser diferentes. Nosso papel, ao dar a luz, já nos mostra o quanto podemos. Não vamos repetir os padrões impostos até hoje. Sem dominações. Busquemos as parcerias! Sejamos empáticas!
Onde falta empatia falta humanidade. E algo me diz que temos certa dificuldade em sermos empáticas umas com as outras. Mas isso também rende outro post gigante...
Por enquanto, só queria lembrar
#somostodasmulheres
#FeminismoéJustiça
#Sororidade
#sóSIMsignificaSIM
#machistasNãopassarão
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